Batata-doce biofortificada como alternativa no combate à deficiência de vitamina a em crianças
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Palavras-chave

fome oculta
biofortificação
processamento alimentício
β caroteno

Como Citar

Arcanjo FagundesG., Soares PintoN., SeveroJ., Hansel MichelottiA. A., & WalterM. (2022). Batata-doce biofortificada como alternativa no combate à deficiência de vitamina a em crianças. Revista De Ciência E Inovação, 7, 1-21. https://doi.org/10.26669/2448-4091.2021.326

Resumo

A fome oculta ocorre quando o consumo e/ou absorção de micronutrientes é insuficiente para sustentar o correto desenvolvimento. A carência de vitamina A pode causar deficiência visual, aumento do risco de desenvolvimento de doenças graves e morte em crianças. O β‑caroteno (precursor da vitamina A) é um carotenoide presente em cultivares de batata-doce biofortificadas (BDB), que apresentam polpa alaranjada. Foram investigados materiais de domínio público, em bases de dados digitais, buscando assuntos relacionados à deficiência de vitamina A em crianças e à ingestão diária recomendada (IDR), assim como produtos alimentícios obtidos a partir de BDB e teor de β‑caroteno em variedades e produtos elaborados com batatas cultivadas no Brasil. A partir dos dados obtidos foram apresentados: as condições de processamento, concentração de β‑caroteno e quantidade necessária para suprir a IDR de vitamina A em crianças de cada produto (batata-doce ou alimento) avaliado. Foram tabelados vinte produtos, cujos teores de β‑caroteno variaram entre 0,17 e 3,79 mg β‑caroteno/100 g, sendo necessária uma porção de 65 g do cultivar da BDB para suprir a IDR (400 µg RE/dia) de vitamina A de crianças de até seis anos. O consumo dos produtos alimentícios preparados com BDB variaram entre 830 g e 71 g, demonstrando que a forma de preparo, como o uso do calor aliado à exposição ao O2, pode resultar em degradação dos carotenoides. O desenvolvimento de produtos alimentícios com altos teores de β‑caroteno apresenta-se como uma alternativa viável para a inserção do BDB. As condições de consumo também devem ser levadas em consideração, visando a melhorar a bioacessibilidade e a biodisponibilidade e a combater a deficiência de vitamina A.
https://doi.org/10.26669/2448-4091.2021.326
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Copyright (c) 2021 Gilberto Arcanjo Fagundes, Nadine Soares Pinto, Joseana Severo, Adriana Aparecida Hansel Michelotti, Melissa Walter

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